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Há
muitos anos, fui convidada a fazer uma exposição no Centro
Cultural Vergueiro de São Paulo.Durante o tempo que antecedeu
essa exposição, meu trabalho era surreal, a investigação do
Eu, ou, naturalmente, do Nós dentro do mundo do sonho, do
irreal que, dependendo da linguagem, torna-se tão real quanto.
Enfim, a procura pela razão do ser, a justificação mesmo do
ser, levou-me ao encontro do animal, aquela coisa misteriosa,
inexplicável, mas infinitamente preciosa. Admito que não encontrei
justificativa para nosso Ser nem acho mais tão importante
justificá-lo. Existimos, não resta a menor dúvida.
Sempre amei
nossos companheiros, não tanto diferentes de nós, nesta viagem de nossa nave
pelo espaço. Mas nunca me identifiquei tanto com eles, como quando comecei a
sentir a necessidade de catalizá-los em cores, linhas e milhares de pontinhos.
Em que universo estranho entrei. Um universo só de cheiros, de olhares, de
sons, de fomes, de medos, de cios, de incompreensões e de coisas que não
consigo entender, mas tenho que revelar da única forma em que sei expressar-me.
Voltando à
exposição no CCVSP, que foi a primeira mostra individual de arte sobre Animais
em Extinção, tive uma surpresa imensa. A quantidade de visitantes ultrapassou
a marca de 7.000 pessoas, prorrogando o evento por mais um mês. Foram músicos,
pintores, muitas escolas e grupos organiza- dos. Os recados deixados no livro de
presença foram surpreendentemente encorajadores.
Encorajadores
sim, porque, na sociedade imediatista de ideais massificados e de consumo
dirigido, em que o artista e suas linguagens são ignorados em suas
especificidades, é sempre agradável verificar que, de alguma forma, ainda
conseguimos tocar os íntimos ofuscados pelo néon dos outdoors digitais da
vida.
Simone-marie,
Guarujá 2003.
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