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-07

 

 

 

 

 


Nascida na Holanda veio para Brasil durante os anos sessenta e vive atualmente na Ilha de Guarujá, no Estado de São Paulo, bem perto da praia. Estudou no DeArte, Núcleo Artístico Profissional Cultural onde 
se formou em 1964.  Durante anos uma desenhista surreal ela estudou com alguns pintores famosos, entre eles Aldo Bonadei Carmélio Cruz e Carlos Jacchieri.  Como ativista ambiental ela trabalhou durante muitos anos com reabilitação de animais silvestres e difusão cultural. Hoje ela participa como consultora cultural em
vários ONG´s. 
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Há muitos anos, fui convidada a fazer uma exposição no Centro Cultural Vergueiro de São Paulo.Durante o tempo que antecedeu essa exposição, meu trabalho era surreal, a investigação do Eu, ou, naturalmente, do Nós dentro do mundo do sonho, do irreal que, dependendo da linguagem, torna-se tão real quanto. Enfim, a procura pela razão do ser, a justificação mesmo do ser, levou-me ao encontro do animal, aquela coisa misteriosa, inexplicável, mas infinitamente preciosa. Admito que não encontrei justificativa para nosso Ser nem acho mais tão importante justificá-lo. Existimos, não resta a menor dúvida. 

Sempre amei nossos companheiros, não tanto diferentes de nós, nesta viagem de nossa nave pelo espaço. Mas nunca me identifiquei tanto com eles, como quando comecei a sentir a necessidade de catalizá-los em cores, linhas e milhares de pontinhos. Em que universo estranho entrei. Um universo só de cheiros, de olhares, de sons, de fomes, de medos, de cios, de incompreensões e de coisas que não consigo entender, mas tenho que revelar da única forma em que sei expressar-me.

Voltando à exposição no CCVSP, que foi a primeira mostra individual de arte sobre Animais em Extinção, tive uma surpresa imensa. A quantidade de visitantes ultrapassou a marca de 7.000 pessoas, prorrogando o evento por mais um mês. Foram músicos, pintores, muitas escolas e grupos organiza- dos. Os recados deixados no livro de presença foram surpreendentemente encorajadores.

Encorajadores sim, porque, na sociedade imediatista de ideais massificados e de consumo dirigido, em que o artista e suas linguagens são ignorados em suas especificidades, é sempre agradável verificar que, de alguma forma, ainda conseguimos tocar os íntimos ofuscados pelo néon dos outdoors digitais da vida.

Simone-marie, Guarujá 2003.

 



 

 

 

 

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